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Preto no Branco

Um manifesto pós-punk e artístico que confronta a obsessão humana pelas certezas absolutas. Enquanto o mundo moderno exige respostas binárias, retas e definitivas, a faixa expõe a fragilidade das nossas percepções, revelando que a existência humana acontece no "barranco" — na zona cinzenta e instável entre o fato bruto e a projeção de nossos próprios desejos.

Bastidores: "Preto no Branco" é um mergulho profundo na epistemologia do cotidiano e na psicologia comportamental. A inspiração nasceu de uma contradição humana universal: a nossa necessidade quase desesperada de reduzir a complexidade do mundo a extremos fáceis de digerir (o sim ou o não, o erro ou o acerto). No entanto, quando somos nós os chamados a apresentar nossas ideias e sentimentos, os tons intermediários inevitavelmente emergem.

Tintas derramam o talvez.

A mente pinta o que vê.

Grita a própria lucidez.

Excesso em cada vez.


O fato é pedra e osso.

Chão da realidade.

Opinião é um poço.

Água cheia de vontade.


O dia jura o claro.

A dúvida sopra o cinza.

O que é barato ou caro?

O que a verdade batiza?

 

Queremos o preto no branco!

A reta, o sim ou o não!

Mas vivemos no barranco.

Entre o fato e a invenção!


O branco que amarela

Vítima do olhar atento.

O vermelho arde na tela.

Vira turquesa por dentro.


Sugestão é sopro e veneno.

Molda o sólido em vapor.

O grande torna-se pequeno.

O ódio disfarça a dor.


A verdade não é o resto!

Nem só a luz que se apaga!

É a mistura da prova com a fresta!

É o chão e o céu que indaga!

 

Queremos o preto no branco!

A reta, o sim ou o não!

Mas vivemos no barranco.

Entre o fato e a invenção!