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Quem for de rezar que reze

Um samba-enredo cortante e de forte impacto popular que denuncia a mercantilização da fé e a transformação de templos religiosos em palanques políticos. Movida pelo ritmo acelerado de uma bateria de escola de samba e sustentada pelo clamor de um coro comunitário, a faixa contrasta a hipocrisia dos falsos líderes com o respeito profundo à espiritualidade genuína daqueles que buscam o amor e o bem ao próximo.

Bastidores: "Quem for de rezar que reze" nasceu da indignação diante do paradoxo contemporâneo onde o sagrado é utilizado como moeda de troca e plataforma eleitoral. A inspiração surgiu ao observar os púlpitos se transformarem em balcões de negócios, onde o cajado espiritual é trocado por notas de cem e a vulnerabilidade do povo é explorada em nome do lucro e do poder. O estalo poético veio ao constatar uma dura metáfora: quando o oportunismo político e a vaidade entram pela porta da frente do templo, a verdadeira essência divina se retira pela de trás. Com um refrão espirituoso e enérgico que funciona como um "expurgo" dos falsos profetas, a música equilibra o tom de denúncia com um manto de respeito e proteção à fé sincera e humilde — aquela que não habita palácios de luxo, mas sim o coração de quem pratica o bem sem pedir nada em troca.

Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for impostor que o diabo o carregue.


O púlpito hoje é balcão de negócio

Onde o "amém" tem preço e o lucro é o sócio.

Venderam o céu pra comprar o poder,

Exploram a fome pra se enriquecer.

Trocaram o cajado por nota de cem,

No reino da barganha ninguém é de ninguém.

 

Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for impostor que o diabo o carregue.

 

O voto do crente virou mercadoria,

No templo de luxo e de hipocrisia.

Com a Bíblia na mão, escondendo o malfeito,

Fazendo do dízimo o seu próprio direito.


Pois se o político entra por uma porta,

Deus sai pela outra... a fé já está morta!

É o lobo faminto enganando o inocente,

Algema da alma e nó na corrente.

 

Se você tem seu Divino,

Com toda sinceridade...

Respeita seu sentimento,

Longe de toda vaidade.

Não tenha insegurança,

Valoriza o bem que tem...

Amém pra quem busca o Amor,

E ao próximo quer o bem!


Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for de rezar que reze

Quem for impostor que o diabo o carregue.