Verdade entre aspas
O choque entre a ilusão de justiça e a realidade da manipulação midiática. Sob o peso e o groove do Manguebeat, a faixa narra a frustração de um cidadão que assiste a uma operação policial contra os poderosos, apenas para ver a notícia ser esvaziada, costurada e distorcida pelos donos do consenso. Uma crítica ácida à ilusão de informação em uma sociedade onde a notícia se tornou "verdade entre aspas".
PF em prédio na Faria Lima,
Tem poderosos na mira.
Dessa vez não vai ter saída!
Não acredito! ... Enfim justiça! ...
Mais um furo de reportagem.
Mala de dinheiro na garagem.
A origem não é conhecida.
Tentou fugir, preso na saída.
Sem recurso, indiciado,
Meliante é "amigo da vida".
Todos junto e misturado.
Mas o culpado a mídia evita.
Me negam o que eu vi,
Omitem o fundamental.
Costuram o que sei,
Já não sei o que é real.
Me vejo afogado
Na areia movediça,
Na água, no raso,
No labirinto sem saída.
Olho arde com brilho da tela,
A garganta não fala na cela.
Meus olhos estão cheios de farpas:
Notícia é verdade entre aspas!
Explosões, gritos e fumaça,
Se o que vi sumiu no papel,
O que não vejo me torna réu.
Me dizem não tem o que se faça.
São tantos fatos e tantas versões,
A Terra ficou plana no papel,
Decisão em salas de reuniões.
Rascunharam fronteiras no quartel.
Me negam o que eu vi,
Omitem o fundamental.
Costuram o que sei,
Já não sei o que é real.
Me vejo afogado
Na areia movediça,
Na água, no raso,
No labirinto sem saída.
Olho arde com brilho da tela,
A garganta não fala na cela.
Meus olhos estão cheios de farpas:
Notícia é verdade entre aspas!
Abro a janela, o horizonte é imenso,
Muito além das sombras daquilo que é consenso.
Falar o real não dá honras.
Nesse caldo de meias verdades...
Ser sincero é a maior fraude.


