A Vida Não Se Basta
Uma ode à necessidade vital da expressão artística inspirada no pensamento do poeta Ferreira Gullar. A faixa confronta o esvaziamento sensório do homem moderno — isolado em telas e rotinas automáticas — com o poder redentor da arte, o único elemento capaz de quebrar nossas cascas, resgatar a empatia e expandir as fronteiras da nossa existência.
Os pássaros pousam do vento
Raios acendem de algum lugar
Nuvens passam apressadas
E nós, distantes, sem ver passar
Olhamos o mundo à volta
Mas não enxergamos nada
Vamos contando as horas
Como pessoas "conectadas"
Nesse escafandro que temos
Do que sabemos pensamos menos
O sentir tem passos vacilantes
A dor do outro é um eco distante
O vento desfigura o céu
A nuvem nos diz que é hora
Tem chuva atrás do véu
O cheiro de terra transborda
A arte nos faz sentir o mundo
Ela conforta os perturbados
Ela perturba os conformados
Nos encontra lá no fundo
Nos acolhe nos resgata
A vida sem ela não se basta
Então surgem as fadas e anjos
Beijam nossos olhos, nos deixam nus.
Sem a casca somos mais humanos
Sentidos afloram num facho de luz.
Quem são essas entidades?
Nos ligam todos os sentidos
Mostram lugares esquecidos
Que somos mais que esses trajes
A arte nos faz sentir o mundo
Ela conforta os perturbados
Ela perturba os conformados
Nos encontra lá no fundo
Nos acolhe nos resgata
A vida sem ela não se basta


