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Verdade entre aspas

O choque entre a ilusão de justiça e a realidade da manipulação midiática. Sob o peso e o groove do Manguebeat, a faixa narra a frustração de um cidadão que assiste a uma operação policial contra os poderosos, apenas para ver a notícia ser esvaziada, costurada e distorcida pelos donos do consenso. Uma crítica ácida à ilusão de informação em uma sociedade onde a notícia se tornou "verdade entre aspas".

Bastidores: "Verdade Entre Aspas" nasceu do impacto provocado pelo estudo da obra Mídia, do linguista e filósofo Noam Chomsky. O livro expõe como os grandes veículos de comunicação moldam o consenso e fabricam a opinião pública para proteger interesses privados e figuras intocáveis, servindo como estopim para a composição. A música retrata o exato momento em que o otimismo dá lugar ao asco. O protagonista inicialmente comemora a prisão de corruptos na Avenida Faria Lima pela Polícia Federal, acreditando que a justiça finalmente chegou. No entanto, os desdobramentos mostram a blindagem dos culpados e a ocultação do que é fundamental. Escolher o Maracatu e o Manguebeat é uma forma de usar os tambores da periferia e as guitarras distorcidas para quebrar o silêncio confortável das salas de reunião onde o mundo é rascunhado.

PF em prédio na Faria Lima,
Tem poderosos na mira.
Dessa vez não vai ter saída!
Não acredito! ... Enfim justiça! ...

Mais um furo de reportagem.
Mala de dinheiro na garagem.
A origem não é conhecida.
Tentou fugir, preso na saída.

Sem recurso, indiciado,
Meliante é "amigo da vida".
Todos junto e misturado.
Mas o culpado a mídia evita.

Me negam o que eu vi,
Omitem o fundamental.
Costuram o que sei,
Já não sei o que é real.
Me vejo afogado
Na areia movediça,
Na água, no raso,
No labirinto sem saída.

Olho arde com brilho da tela,
A garganta não fala na cela.
Meus olhos estão cheios de farpas:
Notícia é verdade entre aspas!

Explosões, gritos e fumaça,
Se o que vi sumiu no papel,
O que não vejo me torna réu.
Me dizem não tem o que se faça.

São tantos fatos e tantas versões,
A Terra ficou plana no papel,
Decisão em salas de reuniões.
Rascunharam fronteiras no quartel.

Me negam o que eu vi,
Omitem o fundamental.
Costuram o que sei,
Já não sei o que é real.
Me vejo afogado
Na areia movediça,
Na água, no raso,
No labirinto sem saída.

Olho arde com brilho da tela,
A garganta não fala na cela.
Meus olhos estão cheios de farpas:
Notícia é verdade entre aspas!

Abro a janela, o horizonte é imenso,
Muito além das sombras daquilo que é consenso.
Falar o real não dá honras.
Nesse caldo de meias verdades...
Ser sincero é a maior fraude.