Pegadas na Trilha
Uma crônica musical urbana que narra o cotidiano exaustivo de Bia na cidade grande. Entre o transporte lotado e o peso das obrigações, ela encontra na ancestralidade — através, metaforicamente, de uma marca no chão — a força e o prumo necessários para resistir, levantar a cabeça e seguir em frente.
Meu nome é Bia...
Sabe, tem hora que a correria da cidade engole a gente.
A rotina diária, o cuidado com os filhos, a hora de chegar na firma...
A família até pode querer ajudar mas nem sempre é possível.
É muita fumaça, uma névoa densa.
O peso e o medo das obrigações me fizeram travar.
Mas olhei pro chão... e foi aí que eu vi. Tinha uma marca ali.
Vai na multidão, caminha firme
Sem respirar na ladeira íngreme
Como rato de laboratório corre,
Olha o vazio, a vida é um porre.
No sinal, tudo parou à sua volta,
Mas, um abraço amigo a conforta,
Um misto de medo e familiar,
Alguém próximo queria lhe falar.
Bia, não temas o que não se vê,
Pressa é vento a te carregar.
Tua família caminha com você!
Pegada ensina onde pisar.
“Eu senti um calor subir pelo pé.
Uma voz de muito longe sussurrou:
'Ô Bia, levanta essa cabeça! O rastro tá aí pra te dar prumo!”
Pisa firme! Teu amanhã tá aberto!
O rastro indica o rumo certo.
O que foi, passou, ficou pra trás!
Segue essa trilha, tu é capaz!
É o busão lotado, o ponto final
A conta que chega, o mal-estar geral.
Marmita esfriou, o tempo voou
A força no braço que o dia esgotou…
Mas quando o cansaço quer te derrubar
A mão do passado vem te levantar!
No meio do caos, no meio da lida
A trilha é o mapa pra tua saída!
Pisa firme! Teu amanhã tá aberto!
O rastro indica o rumo certo.
O que foi, passou, ficou pra trás!
Segue essa trilha, tu é capaz!
Eu respirei fundo. O sinal abriu.
A névoa ainda tava lá, mas agora eu sabia onde pisar.
Agô, meu povo.
A BIA VAI TRILHAR!


