Português English Español

Pegadas na Trilha

Uma crônica musical urbana que narra o cotidiano exaustivo de Bia na cidade grande. Entre o transporte lotado e o peso das obrigações, ela encontra na ancestralidade — através, metaforicamente, de uma marca no chão — a força e o prumo necessários para resistir, levantar a cabeça e seguir em frente.

Bastidores: "Pegadas na Trilha" é, antes de mais nada, uma homenagem profunda a todos os nossos entes queridos que já partiram. Através da trajetória da personagem Bia, a música revela que os laços de amor com nossos familiares e amigos desencarnados permanecem vivos, ativos e indestrutíveis. No meio do caos, da exaustão e do asfalto cinzento da rotina urbana, a canção nos lembra que nunca caminhamos sozinhos. Aqueles que amamos e que já não estão mais fisicamente entre nós continuam nos guiando sutilmente, deixando suas marcas e memórias como um mapa de proteção. É um manifesto de fé, afeto e ancestralidade, mostrando que o Amor é a ponte eterna que nos mantém conectados e nos dá prumo para continuar a jornada.

Meu nome é Bia...

Sabe, tem hora que a correria da cidade engole a gente.

A rotina diária, o cuidado com os filhos, a hora de chegar na firma...

A família até pode querer ajudar mas nem sempre é possível.

É muita fumaça, uma névoa densa.

O peso e o medo das obrigações me fizeram travar.

Mas olhei pro chão... e foi aí que eu vi. Tinha uma marca ali.


Vai na multidão, caminha firme

Sem respirar na ladeira íngreme

Como rato de laboratório corre,

Olha o vazio, a vida é um porre.


No sinal, tudo parou à sua volta,

Mas, um abraço amigo a conforta,

Um misto de medo e familiar,

Alguém próximo queria lhe falar.


Bia, não temas o que não se vê,

Pressa é vento a te carregar.

Tua família caminha com você!

Pegada ensina onde pisar.


“Eu senti um calor subir pelo pé.

Uma voz de muito longe sussurrou:

'Ô Bia, levanta essa cabeça! O rastro tá aí pra te dar prumo!”


Pisa firme! Teu amanhã tá aberto!

O rastro indica o rumo certo.

O que foi, passou, ficou pra trás!

Segue essa trilha, tu é capaz!


É o busão lotado, o ponto final

A conta que chega, o mal-estar geral.

Marmita esfriou, o tempo voou

A força no braço que o dia esgotou…


Mas quando o cansaço quer te derrubar

A mão do passado vem te levantar!

No meio do caos, no meio da lida

A trilha é o mapa pra tua saída!


Pisa firme! Teu amanhã tá aberto!

O rastro indica o rumo certo.

O que foi, passou, ficou pra trás!

Segue essa trilha, tu é capaz!


Eu respirei fundo. O sinal abriu.

A névoa ainda tava lá, mas agora eu sabia onde pisar.

Agô, meu povo.

A BIA VAI TRILHAR!