Português English Español

O Preço

Uma narrativa emocionante e profundamente humana sobre a memória e a cura interior. Ao reviver no balcão de uma padaria, através dos olhos do próprio filho, um "não" que recebeu na infância e guardou como mágoa, um homem atravessa um lampejo de lucidez que ressignifica toda a sua história familiar. É um hino sobre amadurecimento, perdão silencioso e redenção.

Bastidores: "O Preço" nasceu de uma reflexão profunda sobre como as nossas memórias de infância podem nos enganar, criando leituras equivocadas que nos guiam por caminhos de solidão e dor invisível. A inspiração veio da constatação de que, muitas vezes, interpretamos a escassez ou a rigidez dos nossos pais como falta de afeto, carregando essa ferida na "mochila" da vida sem perceber o peso que ela exerce nas nossas relações. O estalo poético se dá no ambiente simples e sensorial de uma padaria. O paradoxo se estabelece quando o protagonista, agora pai, depara-se com o olhar sedento do próprio filho diante do vidro dos doces. Nesse milissegundo, a mente viaja no tempo e ele percebe que o "não" do passado, que tanto o machucou, não era desamor, mas sim a expressão máxima de um cuidado que a infância não consegue decifrar. A música celebra a beleza da maturidade que permite quebrar o gelo das mágoas e transformar o antigo deserto em um solo de redenção e paz.

O cheiro de pão, o brilho do açúcar,
Na padaria, não esqueço nunca.
Atrás do vidro minha mão não alcança.
Só quero o doce cor de laranja.

O "não" foi um soco no peito
Me quebrou, me deixou de um jeito
Não sabia o que pensar
Só o silêncio a martelar.

Quer porque quer a criança.
O "não" é sinal de cuidado!
Cada coisa tem seu preço.
Cuidado vai além do beijo.
Tudo na vida tem explicação
Silêncio ... faz pensar que não.

Esse dia marcou minha vida
Carreguei na minha mochila
Sozinho no escuro, no frio
Relação num beco sombrio.

Gelo do toque nos contatos
Dia a dia tudo registrado
Casei, nasceu meu menino
Esqueci tudo aquilo.

O destino me trouxe ao balcão
Meu filho segura minha mão
A pergunta veio, do olho sedento
Minha mente viajou no tempo.

Quer porque quer a criança.
O "não" é sinal de cuidado!
Cada coisa tem seu preço.
Cuidado vai além do beijo.
Tudo na vida tem explicação
Silêncio ... faz pensar que não.

Sob as luzes da padaria
Revi toda minha agonia
Num segundo de luz e clareza
Minha dor... Aqui ponto se chega!

Atravessei muitos desertos,
Achando que estava certo.
Entendi o porquê do "não".
Enfim chegou minha redenção.

Quer porque quer a criança.
O "não" é sinal de cuidado!
Cada coisa tem seu preço.
Cuidado vai além do beijo.
Tudo na vida tem explicação
Silêncio ... faz pensar que não.