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Ruído na Comunicação

Um manifesto suingado contra a insana necessidade moderna de ganhar discussões a qualquer custo. Embalada pelo ritmo contagiante do Samba-Rock, a faixa faz uma radiografia precisa da nossa incapacidade de escuta, ironizando os paladinos da internet e os influenciadores de opinião que ditam regras sem promover reflexões reais. Uma canção sobre o que a sociedade perdeu no meio do tiroteio ideológico.

Bastidores: "Ruído na Comunicação" é o retrato musical de uma ferida histórica recente. A motivação para escrever a faixa veio do incômodo com a polarização crônica que envenenou a nossa capacidade de dialogar. Trata-se de um processo que começou de forma sorrateira em 2013, ganhou contornos mais nítidos e acentuados em 2016, e acabou se consagrando e se estruturando a partir de 2019, transformando debates em meras disputas de ego. A composição critica a cultura do grito e da lacração, onde o que importa é performar para a própria bolha (a "fumaça dos outros") em vez de construir pontes. Escolher o Samba-Rock é um ato de resistência pacífica: é usar a leveza do groove e a inteligência do ritmo para pedir que o mundo abaixe o volume, desarme os espíritos e volte a escutar.

Sabe essas conversas que temos hoje em dia

As palavras parecem que estão numa orgia

É muita razão pra todos os lados

O que os outros dizem não vale um centavo

 

Você tem que decidir onde está nesse esquema

Se tem a solução ou é parte do problema

Você quer que eu brigue? Eu não!

Não concorda mas cadê explicação?

 

Não bata palma para fumaça dos outros

Que o vento carrega e o tempo consome

Quem vive de cena e de grito bem rouco

No fim da conversa nem sabe seu nome

 

Abaixa o volume, sustenta a palavra

Quem muito grita, no fundo não fala

Não é sobre o lado que você escolheu

É o quê no meio a gente perdeu.

 

A gente discorda, mas não se separa

O peso da ideia não fere a cara

O que nos afasta é o grito em vão

A falta de escuta é a nossa prisão


Não bata palma para fumaça dos outros

Que o vento carrega e o tempo consome

Quem vive de cena e de grito bem rouco

No fim da conversa nem sabe seu nome

 

Abaixa o volume, sustenta a palavra

Quem muito grita, no fundo não fala

Não é sobre o lado que você escolheu

É o quê no meio a gente perdeu.