Campo Minado
Uma crítica ácida e envolvente à dependência existencial provocada pelo monopólio das Big Techs. Embalada por um ritmo pop magnético, a faixa expõe a transição sutil do usuário: de cliente adulado por facilidades gratuitas a produto aprisionado em um "campo minado" de algoritmos, onde o celular funciona tanto como bengala quanto como armadilha.
Piso na noite de blecaute
Mas não estou sozinha
Alguém desenha um layout
Mostra o que antes não tinha
Voz segura nos longos passeios,
Que camufla todos meus receios.
Adula minha vaidade
Ajeita cinto de castidade
O predador sorri na tela do celular
Mostrando onde tenho que pisar
É bengala pra nossa cegueira
Melhor amigo pra nos dar rasteira...
Quem vive de facilidades
Não nada contra a corrente
Toma veneno sem vaidades
Como remédio que cura a gente.
A cortesia hoje é passado
Predador me olha indiferente
Eu já estou no campo minado
Agora presa entre seus dentes
De adulada virei indigente
Num bando de escravizados
Ele dita as regras e a lei
Esse monstro que eu mesmo criei
O predador sorri na tela do celular
Mostrando onde tenho que pisar
É bengala pra nossa cegueira
Melhor amigo pra nos dar rasteira...
Quem vive de facilidades
Não nada contra a corrente
Toma veneno sem vaidades
Como remédio que cura a gente.
No passado não paguei
Acabei virando produto
Não acho mais o que achei
Do meu amigo verdugo
Quem vive de facilidades
Não nada contra a corrente
Toma veneno sem vaidades
Como remédio que cura a gente.


